domingo, 8 de abril de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
O efeito borboleta...
“A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita”, Mahatma Gandhi.
por Roney Moraes *
Berço cultural de inegável importância para o país, Cachoeiro de Itapemirim (ES), que se tornou a cidade da crônica, viu nascer grandes nomes da cultura nacional, como o cronista Rubem Braga. E para homenagear e manter viva a memória do aclamado “pai” da crônica moderna, o maior evento cultural do sul do Espírito Santo: a Bienal Rubem Braga novamente vem batendo suas asas, e, desde já, causando efeitos favoráveis para sua realização.
Para quem acompanhou de perto todas as edições da Bienal Rubem Braga, esta não será diferente. Enquanto que nas duas primeiras trabalhei diretamente para sua realização, com textos e assessoria de imprensa. Na última, meio que de escanteio, peguei carona na imaginação e permaneci como num casulo, mas ainda assim abastecendo o blog www.bragaebraga.blogspot.com com rasantes de informações atualizadas. Como o tema escolhido para a atual edição, digo que do escuro e do que pouco prometia é que saíram informações e contatos para alguns visitantes que até hoje conversam comigo via e-mail. Ou seja, do feio saiu a beleza.
Apresentando a “borboleta” como temática, a IV Bienal Rubem Braga já causou o seu efeito. Entusiasta que sou não poderia deixar de colaborar. Acompanhada do mascote Zig, esta Bienal será inspirada na crônica “A Borboleta Amarela” escrita em 1955.
Com o objetivo de atingir todos os segmentos da sociedade, em particular as crianças, os adolescentes e os jovens, através das instituições de ensino públicos e privados, o evento reserva aos participantes uma extensa programação cultural, colocando frente-a-frente com o público grandes nomes da arte e cultura. Toda a programação acontecerá na Praça Jerônimo Monteiro, como na edição anterior, de 15 a 20 de maio.
A bienal, em momentos anteriores, já recebeu alguns desses gigantes do universo acadêmico, da literatura, teatro, filosofia e poesia nacional como Affonso Romano de Sant'Anna, Tônia Carrero, Viviane Mosé, Ferreira Gullar, Antônio Nóbrega, Elisa Lucinda, Marco Antônio de Carvalho, Isabel Lustosa, Domício Proença Filho, Antônio Carlos Secchin, Ivan Junqueira, Roberto Da Matta, Beatriz Resende, Adriano Espínola, entre outros.
Do ponto de vista simbólico
O tema simbólico: “borboleta” reflete a transformação, metamorfose, metanóia (num sentido mais profundo de mudança). O que estamos fazendo para divulgar a cultura em nosso município e assim transformar a vida de inúmeros adolescentes que sequer têm interesse pela leitura, dita popular, que para a maioria deles é erudita?
Poderíamos parar e utilizar a bienal para nos questionarmos quanto à mudança em nós mesmos. Neste momento, escrevendo este texto penso nisso. O surgimento de um novo aspecto em mim mesmo que pode melhorar a minha imagem. Então imaginemos juntos! Escritor e leitor.
Encontrar o fator primordial dessa mudança não é assim tão simples, mas já sabemos o resultado. A recompensa é grande e a contribuição para a formação de jovens pensantes apenas com um simples ato de começar a pensar no assunto ou ler uma crônica é inegável. A lagarta sofre. Toda mudança causa sofrimento, mas, a partir daí que o “milagre” acontece. O próprio ser transformado deve quebrar as barreiras que impedem o seu resplendor. Arrebentar o casulo com as asas as torna fortes o suficiente para voar e sobreviver as tempestades que encontrará no percurso de sua vida.
De um prisma humano, diria que se tornar borboleta é buscar a resiliência (termo da física que significa a capacidade de superação, tirando proveito dos sofrimentos, inerentes às dificuldades). É disso que o povo, os adolescentes e as crianças de hoje precisam. Que esta bienal rompa as barreiras da erudição e faça os mais humildes perceberem que o texto de Rubem Braga foi, é e sempre será popular, apesar de seu sincronismo entre o cotidiano, a literatura e o viés poético.
Ela é sincrônica no sentido de que traduz uma simultaneidade, ou uma síntese não só atemporal, como espacial. A crônica não está mais ligada apenas aos fatos do cotidiano. Por exemplo, Luiz Fernando Veríssimo de repente fala do século IXX e não está mais ligado a um só espaço ou a uma cidade, mas a vários lugares.
Antes, a crônica era considerada um gênero produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa. É claro, com raras excessões antológicas. Hoje, especialistas concordam que ela é plural porque tem várias formas, apesar de perseguir aqueles modelos estabelecidos por Machado de Assis, Rubem Braga, Carlos Drumond Andrade e outros. Por isso, sem querer deixar o Zig com água na boca, escrever crônicas, para muitos, são os ossos do ofício.
* Roney Moraes é jornalista, psicanalista, bacharel em Teologia, mestre em Filosofia da Religião, doutorando em Psicologia Pastoral e cronista.
A questão religiosa na política social
domingo, 6 de novembro de 2011
“Ao mal não se dá trégua”

Lemos drogas, ouvimos drogas, vestimos drogas, comemos drogas, bebemos drogas, pensamos drogas, falamos drogas... E julgamos...”, Ivan Santtana.
Na próxima semana, em Cachoeiro de Itapemirim, segundo informações oficiais, representantes dos municípios do Sul do Estado discutirão ações integradas sobre a questão das drogas. Esse assunto é bastante complexo e merece o destaque necessário pelo tamanho que o problema tem em todas as esferas de atuação (prevenção, intervenção, recuperação, reintegração, atuação política e repressão ao narcotráfico).
A programação prevê a realização de duas mesas redondas com especialistas que debaterão o incentivo à criação de novos conselhos municipais sobre drogas, a identificação e cadastramento das entidades que atuam na área na região, o estabelecimento de redes de gestores municipais antidrogas e a mobilização na busca de ações coletivas preventivas.
Para começar, antes da hora, qualquer busca por informações e soluções para a batalha contra esse inimigo visivelmente infiltrado em nossa sociedade é válida, mas, convenhamos, temos que mudar radicalmente nossa maneira de pensar e agir quanto às estratégias de combate às drogas. Primeiro porque é preciso ter serenidade e coragem para abordar corretamente o assunto.
“A droga é um mal, ao mal não se dá trégua”, assim disse João Paulo II em 1984. Estamos em 2011 e a sociedade brasileira ainda pensa que toxicômano é somente aquele marginal que faz uso de drogas ilícitas. Um grave erro que os gestores de políticas públicas antidrogas devem corrigir com munição pesada em informação, pra começo de conversa.
Aqui não tem nenhum puritano escrevendo. Muito pelo contrário. Assumo de peito aberto que dependente químico, sem generalizações, quase todo mundo é. Apenas alguns admitem e procuram tratamento.
Para que uma política antidrogas seja mais eficiente, é importante que se invista, também, em estratégias de redução da demanda e de redução de riscos, não se esquecendo das drogas lícitas. É importante ressaltar que a atenção e investimento dado para trabalhos voltados à comunidade, à escola e à área de pesquisa são essenciais.
O preconceito (isso à nível nacional) ainda é grande em relação ao uso de drogas (principalmente das ilícitas) o que interfere, sem dúvida, na prevenção e no tratamento. Como complemento, a maioria da população não considera droga todas as substâncias que, na realidade, possuem um maior consumo (álcool, cigarro, calmantes, remédios para emagrecer e outros).
Exemplo: em relação a investimentos no setor da saúde para tratamento dos dependentes não há nada nas cidades, nos estados, enfim, no Brasil inteiro. Um blecaute total. “O poder público nunca se preparou para essa epidemia de drogas”, dizem os especialistas. Até pouco tempo atrás, a questão das drogas era diferente. Tínhamos, e ainda tem entorpecentes ilícitos, como a cocaína em pó, que atingia principalmente jovens das classes A e B, que tinham condições de comprar e gastar dinheiro a ponto de tornarem-se viciados naquela droga. As famílias gastavam com tratamento em clínicas particulares.
Sem falar na maconha, muito mais presente e que não tem esse componente de vício absoluto como as formas atuais de cocaína. O crack é a cocaína com solventes cada vez mais baratos e sem chegar ao refino. As dificuldades vêm chegando a um estado alarmante porque o crack começou a atingir outras classes sociais, e, convenhamos, agora está incomodando “gente grande”.
O I Seminário de Políticas Públicas sobre Drogas do Sul do Estado será realizado no dia 21 de novembro, no auditório da Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas de Cachoeiro de Itapemirim (FACCACI), com início às 8h. A iniciativa é do Conselho Municipal de Prevenção e Políticas sobre Drogas (Comsod).
Qualquer que seja o resultado é apenas o começo. Temos que levar em consideração ainda que a velocidade com que as novas drogas aparecem, como o recente pinóxi ou oxi, por exemplo, é bem maior do que as alterações legais e discussões necessárias para o combate corpo-a-corpo. De qualquer maneira devemos utilizar essa “desvantagem” como informação valiosa. Sabendo disso, estamos um passo à frente, pois acredito que quanto mais informação sobre o inimigo melhor para o combatente.
Curtas & Grossas
+ “Sexo, drogas e rock'n'roll, livre-se das drogas e você terá bastante tempo para os outros dois", Steven Tyler.
+ G1: "Em SP drogas são escondidas em notebooks." Eu já sabia disso faz tempo. Se chama Windows”, Danilo Gentili.
+ Querem proibir as drogas vendidas em becos ao invés de proibir primeiro as que vendem em bares, drogarias e supermercados.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Um minuto de silêncio é muito pouco

domingo, 3 de abril de 2011
Só pode ter formiga atômica dentro da calça

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Escola: lugar de ensinar ou de guerrear?

"Uma escola onde os alunos mandassem seria uma escola triste. A luz, a moralidade e a arte serão sempre representadas na humanidade por um conjunto de mestres, uma minoria que guarda a tradição do verdadeiro, do bem e do belo", Ernest Renan.
O caso da professora que foi assassinada a sangue frio com três tiros na frente dos alunos numa escola em São Paulo abre um parênteses para o problema que vem se alastrando por todo o país. A violência nas escolas.
Mesmo o crime sendo motivado por outras circunstâncias extra-curriculares, o fato é que os três disparos de arma de fogo aconteceram no início de sua aula de Educação Física na Escola Municipal Professor Paulo Freire e presenciada por vários estudantes.
A falta de respeito com a escola e com os educadores vem se alastrando por todo o país e longe de ser diferente em nosso próprio quintal. Recentemente uma professora de uma escola municipal de Cachoeiro de Itapemirim teve quer ser hospitalizada quando tentava apartar uma briga entre alunos. A violência foi tamanha que causou a fratura do dedo da mão da educadora.
Casos como esse não podem jamais ficar sem uma devida providência. Independente das motivações, os crimes contra a educação já passaram dos limites. Escola é lugar de ensino, aprendizado e não de combate.
Mas como combater a violência no ambiente escolar? Antes é preciso analisar e entender o contexto cultural, ambiental e motivacional dessas atitudes. A truculência tem um estopim e achá-lo é primordial para que o pavio não acenda por completo. Uma vez que a explosão da violência, como na guerra, pode atingir e ferir inocentes, como no caso da professora cachoeirense.
De uma maneira generalizada podemos, de imediato, imaginar que a desigualdade social das periferias é uma característica fortíssima quanto à atitude violenta de alguns alunos. E também os educadores devem perceber as mudanças da nova era informatizada. Tudo é rápido. A informação, o desrespeito, o afeto, as brigas, o amor, as intrigas. As vias de fato se dão em um instante, sem direito de argumentação de defesa, e por isso, quase que sempre, a volta da normalidade entre partes envolvidas no embate violento é da mesma maneira como começa. As consequências duradouras são ambientais, portanto, as marcas são difícieis de apagar, já o ato... Não é de se estranhar se dois adolescentes envolvidos numa briga na segunda voltem a conversar normalmente na quarta.
Conforme artigo publicado em site europeu, especialistas em educação concluem que o aumento da violência escolar se deve em parte a uma crise de autoridade familiar, onde os pais renunciam a impor disciplina aos filhos, remetendo-a para os professores.
Não podemos esquecer que o aparelho estatal no quesito punitivo é muitas vezes ausente nestes casos, deixando os profissionais da educação quase que sempre de mãos atadas em distúrbios como esse cada vez mais frequentes.
Nunca foi tão acertada a frase do autor de "Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações", Adam Smith, que diz: "o grande segredo da educação consiste em orientar a vaidade para os objetivos certos."
É nesse ambiente de vaidade, hostilidade e de emoções à flor da pele que vivem os professores diariamente. Não basta ser educador, é preciso também ser sociólogo, analista, juiz, e, em muitos casos, sacos de pancada.



